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03/09/2018

Comunicado Técnico Núcleo Econômico - PIB 2º Trimestre de 2018

Por Superintendência Técnica da CNA

1. Indicadores do PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2018, divulgado pelo IBGE, cresceu 1% na comparação com o mesmo período de 2017. Nessa comparação, esse é o melhor resultado para o segundo trimestre, dos últimos 5 anos, entretanto, quando comparado ao primeiro trimestre do ano (com ajuste sazonal) o PIB Brasil cresceu apenas 0,2%.

Dessa forma, os números divulgados hoje pelo órgão oficial ficaram dentro das expectativas do mercado que previa uma retração de 0,62% a uma alta de 0,50%. Em valores atuais o PIB do trimestre somou R$ 1,69 trilhão.

O resultado deste trimestre, comparado ao trimestre anterior apresenta uma estagnação da economia brasileira, reflexo de fatores que influenciaram a atividade econômica do país no segundo trimestre deste ano.

Ainda neste critério de comparação, a greve dos caminhoneiros ocorrida no final de maio e que se estendeu até junho fez com que a economia nacional, sobretudo a atividade Industrial (retração de 0,6%) e da Formação Bruta de Capital Fixo (-1,8%). Para o setor agropecuário, o resultado do segundo trimestre comparado com o mesmo período de 2017 apresentou uma retração de 0,4%.

A paralisação dos caminhoneiros foi um grande empecilho para a atividade econômica que estava apresentando sinais de melhoras. Esse fato colaborou para que a saída da recessão seja a mais lenta da história. Somado a esse fator, a alternativa adotada pelo governo para pôr fim à greve, o tabelamento do frete catalisou as frustrações da indústria e agricultura. 

A ampliação dos custos que essa medida ocasiona, aliado a inoperância da equipe econômica do governo apresentar saída factível para os grevistas transferiram ao setor produtivo muitas dúvidas e instabilidade para novos investimentos, com isso, o resultado apresentado do PIB é um quarto do potencial (0,8%) da economia nacional.

Gráfico 1 – PIB e subsetores (Taxa % trimestre em relação ao trimestre anterior)


Fonte: IBGE – Contas Nacionais Trimestrais

2. PIB – Agropecuário

O setor agropecuário brasileiro apresentou retração de 0,4% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa queda é reflexo das baixas produções (comparado a safra do segundo trimestre de 2017) dos seguintes produtos: Uva (-17,5%), Milho (-16,7%), Batata-Inglesa (-11,2%), Laranja (-8,7%), Arroz (-7,3%), Banana (-6,2%) e Mandioca (-3,2%). Estes produtos representam 18% do faturamento do setor.

Enquanto o crescimento da produção do Trigo (28,1%), Algodão (24,5%), Café Arábica (23,5%) e Soja (1,2%), que correspondem a 34% do faturamento agropecuário, não foram suficientes para reverter a retração. As quedas na produção foram ocasionadas pelas quedas de produtividade das culturas.

Observando a série histórica, iniciada em 1996, pela comparação do segundo trimestre do ano com o trimestre imediatamente anterior, o segundo trimestre do ano de 2018 é o terceiro pior da série histórica. A retração de 0,4% só não foi maior que o observado nos anos de 2009 e 2016 (-5,5% e -4,1%, respectivamente). Anos que foram impactados por efeitos climáticos que comprometeram a produtividade no campo.

De acordo com o órgão federal, as estimativas de produção demonstram bom desempenho para as atividades pecuárias e da produção florestal para o primeiro semestre deste ano.

Gráfico 2 – PIB Agropecuário – taxa acumulada em quatro trimestres (%)


Fonte: IBGE – Elaboração CNA (média não dessazonalizada)

3. Considerações

Os resultados apresentados hoje demonstram uma tendência de queda no resultado do PIB da agropecuária, a taxa acumulada em quatro trimestres (2%) atingiu patamares inferiores que a média do setor para toda a série, que é de 3,54%, considerando a série desde 1996.

Indústria, Exportação, Importação e Formação Bruta do Capital Fixo ainda apresentaram resultados ruins na atividade econômica nesse trimestre, reflexos de uma atividade econômica aquém da capacidade produtiva do País, e o pior é a consecutiva e insistente queda nos investimentos em Capital Fixo, o que ocasionará uma queda na produtividade futura do País. 

O consumo das famílias e os serviços apresentaram crescimento, na taxa acumulada dos últimos quatro trimestres de 2,3% e 1,4% respectivamente. Esses resultados foram impulsionados pela geração de novas vagas de trabalho (148.896) no segundo trimestre de 2018.

O ritmo lento da retomada do crescimento econômico faz com que a saída da maior recessão enfrentada pelo País seja a mais lenta de toda história. Em resumo, o País enfrentou a maior queda da atividade econômica de sua história e ainda encontra muitos empecilhos e dificuldades para sair deste quadro.

Essa lenta recuperação está associada a fatores como a paralização dos caminhoneiros no final de maio, e o respectivo tabelamento dos fretes, trazendo aumentos de custos para os setores industrial, comércio e agricultura.

 

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