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11/05/2018

Comunicado Técnico: Alimentos registram a menor alta para abril dos últimos 10 anos

Por Superintendência Técnica da CNA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril/2018, divulgado hoje (10/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 0,22%, abaixo da expectativa de mercado, que esperava alta (mediana) de 0,28%. Em março, o indicador havia apresentado alta de 0,09%.

Os alimentos registraram a menor alta, de 0,09%, dos últimos 10 anos para os meses de abril. Além disso, seu impacto no IPCA geral foi baixo, de apenas 0,02 p.p.. Os alimentos consumidos em domicilio aceleraram 0,27% e alimentação fora de domicilio registrou queda de 0,22%. Nos últimos 12 meses, enquanto o IPCA registra alta de 2,76%, os alimentos registram queda de 2,11% sendo puxado pela alimentação em domicilio que apresenta retração 4,68%. É nesse subgrupo que se encontram os produtos agropecuários.

O mercado esperava um aumento maior no indicador em abril. A Pesquisa de Projeções Broadcast junto a 51 instituições financeiras, divulgada ontem, indicava alta entre 0,22% e 0,34%, com mediana de 0,28%. O IPCA acumulado entre maio de 2017 e abril de 2018 também registrou a menor estimativa (+2,76%), sendo que as projeções variavam de 2,76% a 2,89%, com mediana de 2,82%.

 A inflação continua, portanto, muito abaixo da expectativa de inflação para 2018 - que é, hoje, de 3,49%. Esse cenário de inflação controlada ainda permitiria mais um corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O comitê terá uma reunião na próxima semana para decidir se a Selic passará de 6,5% para 6,25%, apesar da escalada do dólar.

Os produtos alimentares que merecem destaque cujos preços tiveram as variações mais importantes estão indicados no quadro 1 a seguir.

Quadro 1- Alimentos com destaque no IPCA de Maio de 2018

Como indicado no quadro 1, a elevação mais expressiva de preços foi da cebola (+19,55) devido a um menor volume ofertado nos centros de distribuição do país. Isso ocorreu por causa das condições climáticas desfavoráveis no final do ano passado onde a estiagem e as chuvas fora de época interferiram negativamente na produtividade das áreas no Sul, localidade responsável pelo abastecimento de cebola do país entre os meses de novembro e abril.

Outro produto que teve alta de preço e que merece destaque foi o leite longa vida (+4,94%). A redução da produção é explicada pela entressafra de produção de leite nas principais bacias produtoras, por uma menor disponibilidade de matéria-prima em relação ao mesmo período do ano passado e também pelas pequenas margens obtidas com a comercialização deste produto nos últimos meses de 2017 e início de 2018. A desvalorização do Real inibe um pouco a importação de leite em pó e o mercado de leite responde aumentando os preços internos por haver maior competição no campo por leite.

Quanto aos produtos que tiveram queda de preços, a redução mais expressiva de preço foi da batata inglesa, de -4,31% em abril/2018. A queda no preço ocorreu devido a maior oferta de batata produzidas, principalmente na região sul; outro fator que influenciou na retração do preço foi a péssima qualidade da batata ofertada no período.

O açúcar cristal apresentou retração de preço de 2,8% no mês devido ao aumento da produção de açúcar em outros países como Índia, Tailândia e União Europeia, o que gerou um superávit, em torno de 10 milhões de toneladas, na safra mundial 2017/2018 de açúcar. Internamente, há o aumento da oferta por causa do andamento da nova safra 2018/2019 de cana-de-açúcar no Centro Sul. Inclusive com a liquidação por parte das usinas de lotes restantes da safra anterior.

Outro produto de destaque foi a carne (-0,31%), cuja a oferta em excesso vem pressionando os preços para baixo. A queda na exportação (mais de 40% no mês anterior), aliada à retração do preço do frango, substituto da carne, que leva o consumidor a optar por uma proteína mais barata, esses fatores em conjunto explicam esse cenário de redução de preço para carne.

Aliás, o frango inteiro continua apresentando queda de preço (-2,08 %) devido ao embargo da União Europeia por causa do desdobramento da operação Carne Fraca, que na terceira etapa foi chamada de Operação Trapaça, o que aumentou a oferta internamente.

O preço do café moído também apresentou queda (-0,36%) e isso é devido a expectativa de produção ser superior ao esperado. Vale ressaltar que o impacto na redução de preço pago ao produtor de café é muito maior que o impacto na redução do preço pago pelo consumidor.

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